Um dos criadores da sociologia, Émile Durkheim combinou a
pesquisa empírica com a teoria sociológica. Sua contribuição tornou-se ponto de
partida do estudo de fenômenos sociológicos como a natureza das relações de
trabalho, os aspectos sociais do suicídio e as religiões primitivas.
Émile Durkheim nasceu em Épinal, Vosges, em 15 de abril
de 1858. Freqüentou a École Normale Supérieure em Paris e interessou-se por
filosofia. Em 1887 assumiu em Bordéus a primeira cadeira de sociologia
instituída na França. Em 1896, fundou o periódico L’Année Sociologique e, em
1902, passou a lecionar sociologia e educação na Sorbonne.
Quatro obras capitais:
A abordagem com que Durkheim
debruçou-se sobre a sociologia se anuncia nas obras De la division du
travail social (1893; Da divisão do trabalho social) e Les Règles de
la méthode sociologique (1895; As regras do método sociológico). Na
primeira, analisa o problema da ordem num sistema social de individualismo
econômico. Na segunda, define fato social e esquematiza a trama metodológica
com que estudou os fenômenos sociais.
O fato social é experimentado pelo indivíduo como uma
realidade independente que ele não criou e não pode rejeitar, como as regras
morais, leis, costumes, rituais e práticas burocráticas oficiais, entre outras.
Partindo da exterioridade dos fatos sociais, Durkheim abordou a sociedade como
um fato sui generis e irredutível a outros, compreendendo-a como um conjunto de
ideais constantemente alimentados pelos indivíduos que fazem parte dela. Dessa
forma, conceituou a consciência coletiva como o “sistema das representações
coletivas de uma dada sociedade”. A linguagem, por exemplo, é uma representação
coletiva, assim como os sistemas jurídicos e as obras de arte.
Na análise dos sistemas sociais, Durkheim introduziu os
conceitos de solidariedade mecânica e orgânica, que o levaram à distinção dos
principais tipos de grupos sociais. A solidariedade mecânica ocorre nas
sociedades primitivas, nas quais os indivíduos diferem pouco entre si e
partilham dos mesmos valores e sentimentos. A orgânica, presente nas sociedades
mais complexas, se define pela divisão do trabalho.
O estudo das sociedades mais complexas levou Durkheim às
idéias de normalidade e patologia sociais, a partir das quais introduziu o
conceito de anomia, ou seja, ausência ou desintegração das normas sociais. Como
as sociedades mais complexas se baseiam na diferenciação, é preciso que as
tarefas individuais correspondam aos desejos e aptidões de cada um. Isso nem
sempre acontece e a sociedade se vê ameaçada pela desintegração, pois os
valores ficam enfraquecidos. A solução proposta por Durkheim são as formas
cooperativistas de produção econômica.
Em Le Suicide (1897; O suicídio), tentou mostrar
que as causas do auto-extermínio têm fundamento social e não individual.
Descreveu três tipos de suicídio: o egoísta, em que o indivíduo se afasta dos
seres humanos; o anômico, originário, por parte do suicida, da crença de que
todo um mundo social, com seus valores, normas e regras, desmorona-se em torno
de si; e o altruísta, por lealdade a uma causa.
Na última de suas quatro obras capitais, Les Formes
élémentaires de la vie religieuse (1915; As formas elementares da vida
religiosa), buscou mostrar as origens sociais e cerimoniais, bem como as bases
da religião, sobretudo do totemismo na Austrália. Afirmou que não existem
religiões falsas, que todas são essencialmente sociais. Émile Durkheim morreu
em Paris em 15 de novembro de 1917.
Endereço original: http://www.coladaweb.com/biografias/emile-durkheim

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