30 de agosto de 2015

Só pra rir


26 de agosto de 2015

Só pra rir


Conhecimento Científico

O conhecimento científico é real (factual) porque lida com ocorrências ou fatos, isto é, com toda "forma de existência que se manifesta de algum modo" (Trujillo, 1974:14).

Constitui um conhecimento contingente, pois suas preposições ou hipóteses têm a sua veracidade ou falsidade conhecida através da experimentação e não apenas pela razão, como ocorre no conhecimento filosófico.

É sistemático, já que se trata de um saber ordenado logicamente, formando um sistema de ideias (teoria) e não conhecimentos dispersos e desconexos.

Possui a característica da verificabilidade, a tal ponto que as afirmações (hipóteses) que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito da ciência.

Constitui-se em conhecimento falível, em virtude de não ser definitivo, absoluto ou final e, por este motivo, é aproximadamente exato: novas proposições e o desenvolvimento de técnicas podem reformular o acervo de teoria existente. 
(Lakatos, Eva M. e Marconi, Marina A., "Metodologia Científica", Editora Atlas S.A., São Paulo SP. 1991, p.17)

"A investigação científica se inicia quando se descobre que os conhecimentos existentes, originários quer das crenças do senso comum, das religiões ou da mitologia, quer das teorias filosóficas ou científicas, são insuficientes e imponentes para explicar os problemas e as dúvidas que surgem". (p. 30)

"Nesse sentido, iniciar uma investigação científica é reconhecer a crise de um conhecimento já existente e tentar modificá-lo, ampliá-lo ou substituí-lo, criando um novo que responda à pergunta existente". (p. 30)

"O conhecimento científico, na sua pretensão de construir uma resposta segura para responder às dúvidas existentes, propõe-se atingir dois ideais: o ideal da racionalidade e o ideal da objetividade". (p. 30)

"O ideal da racionalidade está em atingir uma sistematização coerente do conhecimento presente em todas as suas leis e teorias. (...) A ciência, no momento em que sistematiza as diferentes teorias, procura uni-las estabelecendo relações entre um e outro enunciado, entre uma e outra lei, entre uma e outra teoria, entre um e outro campo da ciência, de forma tal que se possa, através dessa visão global, perceber as possíveis inconsistências e corrigi-las". (p. 31)

"Essa verificação da coerência lógica entre os enunciados, ou entre teorias e leis, é um dos mecanismos que fornece um dos padrões de aceitação ou rejeição de uma teoria pela comunidade científica: os padrões da verdade sintática. Os enunciados científicos devem ser isentos de ambiguidade e de contradição lógica. É uma das condições necessárias, embora não suficiente". (p. 31)

“O ideal da objetividade, por sua vez, pretende que as teorias científicas, como modelos teóricos representativos da realidade, sejam construções conceituais que representam com fidelidade o mundo real, que contenham imagens dessa realidade que sejam "verdadeiras", evidentes, impessoais, passíveis de serem submetidas a testes experimentais e aceitas pela comunidade científica como provadas em sua veracidade. Esse é o mecanismo utilizado para avaliar a verdade semântica”. (p. 32)

“A ciência exige o confronto da teoria com os dados empíricos, exige a verdade semântica, como um dos mecanismos utilizados para justificar a aceitabilidade de uma teoria. Esse fator, por si só, porém, não garante a objetividade do conhecimento científico. Apesar de a ciência trabalhar com dados, provas factuais, ela não fica isenta de erros na interpretação dessas provas. Por mais que se esforce, o cientista, o investigador, estará sendo sempre influenciado por uma ideologia, por uma visão de mundo, pela sua formação, pelos elementos culturais e pela época em que vive”. (p. 32)

“Ao contrário do senso comum, portanto, o conhecimento científico não aceita a opinião ou o sentimento de convicção como fundamento para justificar a aceitação de uma afirmação. Requer a possibilidade de testes experimentais e da avaliação de seus resultados poder ser feita de forma intersubjetiva”. (p. 32)

“Ao contrário do que costuma acontecer no senso comum, a linguagem do conhecimento científico utiliza enunciados e conceitos com significados bem específicos e determinados. A significação dos conceitos é definida à luz das teorias que servem de marcos teóricos da investigação, proporcionando-lhes, desta forma, um sentido unívoco, consensual e universal. A definição dos conceitos, elaborada à luz das teorias, transforma-os em construtos, isto é, em conceitos que têm uma significação unívoca convencionalmente construída e dessa forma universalmente aceita pela comunidade científica”. (p. 33)

“Os conhecimentos de hoje se sustentam, em grande parte, no aperfeiçoamento, na correção, expansão ou substituição dos conhecimentos do passado”. (p. 36)

"O que distingue o conhecimento científico dos outros, principalmente do senso comum, não é o assunto, o tema ou o problema. O que distingue é a forma especial que adota para investigar os problemas. Ambos podem ter o mesmo objeto de conhecimento. A atitude, a postura científica consiste em não dogmatizar os resultados das pesquisas, mas tratá-los como eternas hipóteses que necessitam de constante investigação e revisão crítica intersubjetiva é que torna um conhecimento objetivo e científico. Ter espírito científico é estar exercendo esta constante crítica e criatividade em busca permanente da verdade, propondo novas e audaciosas hipóteses e teorias e expondo-as à critica intersubjetiva. O oposto ao espírito científico é o dogmático, que impede a crítica por se julgar autossuficiente e clarividente na sua compreensão da realidade. O conhecimento científico é, pois, o que é construído através de procedimentos que denotem atitude científica e que, por proporcionar condições de experimentação de suas hipóteses de forma sistemática, controlada e objetiva e ser exposto à crítica intersubjetiva, oferece maior segurança e confiabilidade nos seus resultados e maior consciência dos limites de validade de suas teorias". (p. 37)

Exemplo de conhecimento científico: "Os planetas giram em torno do Sol em órbitas elípticas, com o Sol ocupando um de seus focos."

"A verdade é o objetivo da ciência, ainda que não possamos saber que a atingimos se, por acaso, isso ocorrer."
(Popkin, Richard, "Ceticismo", Editora da Universidade Federal Fluminense, Niterói RJ. 1996, p.55)


"Embora isso possa parecer um paradoxo, toda a ciência exata é dominada pela ideia da aproximação."
Bertrand Russel


"A ciência tem provas sem certeza. Os teólogos têm certeza sem qualquer prova." 
Ashley Montagu



"A ciência está aberta à crítica, que é o oposto da religião. A ciência implora para que você prove que ela está errada - que é todo o conceito - onde a religião o condena se você tentar provar que ela está errada. Ela te diz aceite com fé e cale a boca." 
Jason Stock


Mito da Caverna

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz."
Platão

25 de agosto de 2015

A Metafísica de Aristóteles

No conjunto de obras denominado Metafísica, Aristóteles buscou investigar o “ser enquanto ser”. Significa que buscou compreender o que tornava as coisas o que elas são. Nesse sentido, as características das coisas apenas nos mostram como as coisas estão, mas não definem ou determinam o que elas são. É preciso investigar as condições que fazem as coisas existirem, aquilo que determina “o que” elas são e aquilo que determina “como” são.

Em sua metafísica, Aristóteles fala acerca dos primeiros princípios. Os primeiros princípios dizem respeito aos princípios lógicos, a saber: o princípio de identidade, da não contradição e do terceiro excluído. O princípio de identidade é autoevidente e determina que uma proposição é sempre igual a ela. Disto pode-se afirmar que A=A. O princípio da não contradição afirma que uma proposição não pode, ao mesmo tempo, ser falsa e verdadeira. Não se pode propor que um triângulo possui e não possui três lados, por exemplo. O princípio do terceiro excluído afirma que ou uma proposição é verdadeira ou é falsa, e não há uma terceira opção viável. Tais princípios, deste modo, garantem as condições que asseguram a realidade das coisas.

Além dos princípios, de acordo com Aristóteles, existem quatro causas fundamentais que também são condições necessárias para que as coisas existam. As causas são: material, formal, eficiente e final. A causa material é a matéria da qual é feita a essência das coisas. A causa formal diz respeito à forma da essência. A causa eficiente é aquela que explica como a matéria recebeu determinada forma. A causa final é aquela que determina a finalidade das coisas existirem e serem como são.

Para compreender a conceituação das causas, pode-se pensar numa pedra que rola a montanha. A causa material é o minério da pedra, a causa formal é a inclinação da montanha, a causa eficiente é o empurrão feito na pedra e a causa final é a vontade da pedra de atingir o nível mais baixo. Assim, os primeiros princípios e as quatro causas são as condições básicas para que as coisas existam e possam ser conhecidas.

Disto, Aristóteles investiga sobre “o que” as coisas são. Nesse ponto, visa superar a ideia de seus antecessores, principalmente Platão, que afirmava que a essência das coisas está num mundo inteligível. Para Aristóteles, a essência das coisas está nas próprias coisas e não separada num mundo das formas e ideias perfeitas, isto é, a essência está na substância. A substância, para ele, é a fusão da matéria com a forma. Uma escultura de madeira, por exemplo, é a fusão da madeira (matéria) com o projeto do artesão (forma).

A partir dessa concepção, era ainda necessário que Aristóteles desse conta do problema do movimento, pois a substância possui a matéria – que está em constante movimento (transformação) – e a forma (que é imóvel). Para superar tal problema, ele usa a ideia de potência e ato. As substâncias possuem potencial para aquilo que ocorre com elas. Pode-se dizer que a gasolina, por exemplo, é inflamável. Significa afirmar que ela possui potencial para pegar fogo, porém é preciso pelo menos uma faísca para que a potência se torne realidade, ato.

Com isto, a metafísica de Aristóteles visa mostrar que o Estar em movimento possui mais importância do que o Ser imóvel de Platão.

Só pra rir


Videoaula Pré-socráticos

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"O caminho mais grandioso para viver com honra neste mundo é ser a pessoa que fingimos ser."
Sócrates 

Heráclito (Resumo I)

Heráclito, considerado um dos filósofos pré-socráticos mais importantes, nasceu em Éfeso, região da Jônia, por volta de 540 a.C., tornou-se conhecido como o ‘pai da dialética’, pois abordava a questão do devir – o vir a ser, as mutações. Avesso à vida em sociedade, de natureza triste e arrogante, era chamado de ‘Obscuro’, por rejeitar a vida pública, desconsiderar a arte, a filosofia e a religião, bem como por ter escrito uma obra – “Sobre a Natureza” – considerada pouco inteligível em seu estilo. Depois de algum tempo, radicalizou sua filosofia de vida e passou a viver isolado nas montanhas.

Apesar de tudo, ele expressou com intensidade a questão da singularidade constante do Homem em vista da diversidade e da mutação dos objetos efêmeros. Ele comprovou a realidade do ‘Logos’, uma lei geral que governa todos os eventos de natureza privada e é o alicerce da ordem universal, de uma harmonia constituída por oposições internas. Seus ensinamentos são polêmicos até hoje. De sua produção filosófica restaram os aforismos - sentenças que em poucas palavras revelam uma regra ou um princípio de longo alcance -, reproduzidos ao longo dos séculos pelos mais variados escritores. Eles foram produzidos por Heráclito em um estilo próprio dos oráculos.

Segundo Heráclito, o fluxo permanente define a harmonia universal. Tudo se move, nada se fixa na imutabilidade. Ele costumava repetir uma frase que se tornou célebre – ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Assim, tudo é regido pela dialética, a tensão e o revezamento dos opostos. Portanto, o real é sempre fruto da mudança, ou seja, do combate entre os contrários. Para este filósofo, a dialética pode ser exterior – um raciocínio de dentro para fora - e imanente do objeto – quando se foca na observação atenta do ser. Heráclito entende este processo dialético como um princípio.

Deste conflito entre os opostos é que nasce a concórdia, a harmonia. Isto permite que o Ser seja uno ao mesmo tempo em que se encontra mergulhado nas constantes mutações do contexto que o envolve. Ele ainda afirma que os contrários ocupam perfeitamente o mesmo espaço, simultaneamente, como o início e o final de uma esfera. Partindo destes postulados, Heráclito estabeleceu uma "arché", ou seja, uma origem de tudo que há – o fogo, para ele o elemento primordial entre os outros que constituem o universo: água, terra, ar. Sob seu ponto de vista, esta substância transmuta-se em tudo que existe, assim como tudo nela se transforma – percebe-se, assim, um fluxo constante de mutação.

Embora tudo pareça obscuro em Heráclito, ele foi com certeza um filósofo notável e acalentou em seu intelecto incomum profundas reflexões. Ele mergulhou na compreensão da essência do ser e de tudo que existe, e possivelmente foi um homem além de seu tempo. Talvez por isso se sentisse tão deslocado entre seus contemporâneos.

24 de agosto de 2015

Parmênides (Resumo II)

Parmênides é um filósofo que expôs seus pensamentos através da poesia em estilo homérico, mas nem por isso deixa de usar rigorosos argumentos dedutivos em suas colocações. Parmênides é o fundador da escola de Eléia e despertou grande admiração de Platão.

Dos seus poemas restaram-nos 154 versos e eles dividem-se em três partes. A primeira é uma introdução onde ele coloca como chegou às suas revelações. O filósofo conta a sua viagem imaginária pela morada da deusa da justiça que o conduzirá ao coração da verdade. A deusa mostra a Parmênides o caminho da opinião que conduz à aparência e ao engano e o caminho da verdade que conduz à sabedoria do ser. Cada um desses caminhos será tratado nas duas  partes seguintes.

Na segunda parte ele argumenta que o que é é diferente do que geralmente os homens supõem que seja. Nessa parte, intitulada Caminho da Verdade (alétheia), ele coloca o que a razão nos diz e ele faz isso através da metafísica dedutiva. Começa por premissas que ele acredita serem verdadeiras e dedutivamente ele chega a conclusões que também devem ser verdadeiras. Seus argumentos lógicos reconstruídos podem ser expressos da seguinte forma:

1 - Ou algo existe ou algo não existe.
2 - Se é possível pensar em algo, esse algo pode existir.
3 - Nada não pode existir.
4 - Se podemos pensar em algo esse algo não é nada.
5 - Se podemos pensar em algo esse algo tem que ser alguma coisa.
6 - Se podemos pensar em algo esse algo tem que existir.

Na sequencia Parmênides expõe que somente nos resta dizer que esse algo é, pensar ou dizer que esse algo não é é impossível. Esse algo que é tem portanto obrigatoriamente que ser incriado e imperecível.

Na terceira parte, intitulada Caminho da Opinião (doxa), sobre a qual não podemos ter nenhuma certeza, ele faz uma descrição de como ele vê o mundo. Para ele essa sua descrição é falsa e enganosa pois é simplesmente o resultado de uma ordenação de palavras, mas essa ordenação é a melhor coisa que os homens podem fazer, sendo portanto a melhor descrição apresentada. Aqui ele expõe as crenças das pessoas simples. São conjuntos de teorias físicas como o dualismo entre o limitado e o ilimitado, que ele relaciona com a luz e as trevas, fazendo da realidade física uma mistura e uma luta entre esses dois elementos. É através dessa divisão que ele ordena as qualidades. Na comparação entre a luz e a escuridão, a escuridão é a negação da luz. Diferenciou as qualidades da natureza em positivas e negativas tomando por base outros opostos como vida e morte, fogo e terra, masculino e feminino, quente e frio, ativo e passivo, leve e pesado. Assim para ele nosso mundo se divide em duas esferas, as de qualidade positiva (luz, vida, fogo, masculino, quente, ativo, leve) e as de qualidade negativa (escuridão, morte, terra, feminino, frio, passivo, pesado). As qualidades negativas são uma negação das qualidades positivas e Parmênides utiliza os termos "não ser" para o negativo e "ser" para o positivo.

Parmênides via as mudanças físicas que ocorrem no mundo como uma mistura onde participam o ser e o não-ser, resultando  num vir-a-ser. A mistura é feita pelo desejo e quando o desejo é satisfeito o ser e o não-ser novamente se separam. O filósofo conclui assim que a mudança é uma ilusão. Somente existem o ser e o não-ser, o vir-a-ser é portanto uma ilusão dos nossos sentidos.

A filosofia de Parmênides se apresenta como um contraste entre a verdade e a aparência. A aparência é percebida pelos sentidos que nos mostram o ser e o não ser e nos levam a diversos erros. Já a verdade somente pode ser buscada pela razão, que para Parmênides demonstra que não podemos pensar o não ser, pois não podemos pensar sem que esse pensar seja sobre algo. Pensar sobre nada é não pensar da mesma forma que dizer nada é não dizer. Somente podemos pensar e expressar o que pensamos através de um objeto e esse objeto já é algo, já é um ser. Ele conclui que o ser é e não pode não ser e através dessa ideia ele expressa sua principal tese filosófica que vai dirigir toda sua investigação racional. Ele cria assim os principais fundamentos da ontologia que é vista como metafísica pois o ser não é somente o ser da natureza, mas também o ser do homem e das suas ações, e mais ainda, é o ser de qualquer coisa que possa ser pensada.

Sentenças:

-O ser é e não pode não ser.
-O pensamento e o ser são a mesma coisa.
-O ser é imóvel porque se se movesse poderia vir-a-ser e então seria e não seria ao mesmo tempo.

Parmênides (Resumo I)

Nascido por volta do ano de 515 a.C., na cidade de Éleia, ao sul da Magna Grécia (Itália), Parmênides é considerado pelos historiadores da Filosofia como o pensador do imobilismo universal.

Em seu poema, Parmênides narra o que disse ter ouvido das musas que por uma carruagem puxada por corsas, conduzem-no à luz da verdade (alethéia). A verdade é, pois, o caminho do pensamento, já que o ser, o que existe é tudo aquilo que pode ser pensado. Dessa forma, o que não é, o não ser, o que não existe, não pode ser pensado nem, portanto, dito, sendo este um caminho ilusório.

A via da verdade é o pensamento que Parmênides identifica com o ser. Mas o ser para existir tem de ser dito, logo, há uma identidade entre Ser, Pensar e Dizer. Sendo a verdade exclusiva dos deuses, entre os mortais há a via da opinião (dóxa), causada pelas ilusões dos nossos sentidos.

Hoje podemos dizer que a ontologia (estudo sobre o ser) de Parmênides refere-se a uma lógica material, como se o discurso estivesse compactado à experiência física. Assim, podemos ver porque ele disse que “o ser é, o não ser não é”. O filósofo apontava para unicidade do ser acreditando que toda forma de movimento era ilusória (e só Newton, no séc.XVIII, com a física conseguiu resolver esse problema!).

Parmênides julgava o ser uno, imóvel, indestrutível, ingênito (isto é, incriado, não nascido, não gerado) e eterno. Segundo seu modo de pensar, o não ser, o nada não existe e não pode ser nem dito nem pensado. Portanto, o ser não pode ter surgido, porque ou teria surgido do nada, o que é impossível, ou teria surgido de outro ser, justificando que o ser já era e sempre será; logo, é eterno. Nem também o ser pode se movimentar, pois se se altera (o movimento em grego era tido como deslocamento, crescimento, diminuição e alteração) será outro ser, mesmo continuando a ser e, por isso, dois seres são impensáveis, apenas um ser é pensável. E se não foi criado, nem gerado, também não pode ser destruído, já que se destruído, algo ficará e assim permanecerá sendo.

Por mais que se possa acreditar que Parmênides seja o iniciador da lógica, sua lógica ainda é vinculada à ontologia, isto é, ao ser, não podendo ser considerada formal. Em linguagem moderna, poderíamos dizer que Parmênides fala da Matéria, amorfa, de modo geral e que tudo o que existe é matéria, não podendo existir o vácuo nem o vazio. E que apesar das suas mudanças em vários elementos, substâncias, coisas e pessoas, ela, a matéria, é o princípio uno e total, causa de toda a realidade.

Pode-se também pensar que a filosofia de Parmênides, isto é, a do imobilismo universal ou teoria do repouso absoluto, foi usada pelas tradições religiosas (principalmente a cristã) para descrever Deus e o céu. Notem que, em geral, os mortos são enterrados com máximas que dizem: “Aqui jaz (repousa) fulano...”. Deus seria esse princípio Uno e Todo sem partes divididas ou vazias que deveria ser compreendido, através do pensamento, como princípio de todo o conhecimento. É também interessante notar como a identidade entre Ser, Pensamento e Linguagem, de Parmênides também associa-se com a tradição do Antigo Testamento. Neste, Deus se revela como o Verbo. Em grego, o verbo é o Lógos, é palavra, discurso e razão. E se para Parmênides o lógos é também o pensar e o ser, então é a divindade que fala e que fornece a base para conhecermos, isto é, a via da verdade é a razão, o lógos divino. Por isso, Parmênides concebe o ser de forma circular, pois é, entre os gregos, a forma da perfeição.

Por: João Francisco P. Cabral

Para refletir...






"Otimismo é esperar pelo melhor. Confiança é saber lidar com o pior."

Roberto Simonsen

23 de agosto de 2015

Para refletir...





"O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso."

Friedrich Nietzsche 

Teoria das Quatro Causas

O início da metafísica de Aristóteles trata-se de um apanhado histórico com intenção filosófica. Na busca em compreender os princípios e causas da realidade, Aristóteles identificou, por exemplo, nos pré-socráticos milesianos a matéria como sendo causa do universo. Encontrou em Platão e nos pitagóricos os números e as Ideias como a forma determinante dos seres. Viu, ainda, em Anaxágoras oNoûs como fim último de todas as coisas.

Toda essa trajetória, na verdade, tem como fim buscar argumentos para sua própria etiologia ou estudo das causas. Aristóteles, assim, reuniu os vários modelos existentes, sintetizando-os em sua própria teoria das quatro causas. São elas:

Causa Material – aquilo de que um ser é feito, a matéria do ser;
Causa Formal – a forma, a essência, a característica que determina e classifica os seres;
Causa Eficiente ou Motora – princípio do movimento, aquilo que dá origem aos seres;
Causa Final – a razão, o para quê algo foi feito, existe, etc.

Conforme Aristóteles, todos os seres, tudo que existe, comporta essas quatro causas, necessariamente. Assim, se tomarmos como exemplo uma estátua de um homem em mármore, poderemos ver a matéria de que é feita (mármore – causa material), a forma que ela assume (os contornos de homem – causa formal), o que deu início ao movimento (a ação do escultor – causa eficiente) e o fim para o qual foi produzida (a contemplação – causa final).

Para se compreender a etiologia aristotélica é preciso conhecer a distinção que ele faz entre Ato e Potência. Ato é a forma assumida por um ser em um determinado momento, sua realização (atualização da potência) segundo um fim inerente ao ser. Potência é aquilo em que é possível algum ser se transformar em virtude desse fim próprio. Assim, uma semente é uma potência da árvore. Esta, ao realizar o fim do movimento, atualizou sua potência. Logo, o ato é a forma que os seres devem atingir através do movimento, tendo como fim a perfeição. E a potência é a matéria que sustenta a transformação, o devir.

Esse modo de se compreender a realidade permite conceber a unidade do ser ainda que seja possível o movimento. Isso porque não se alterou a substância do ser, nem se trata do movimento como ilusão, nem tampouco implica numa unidade imóvel (bebê é diferente de homem; semente é diferente de árvore, etc.). O princípio de identidade se reserva ao ato que dá forma aos seres. Assim, o conhecimento se dá a partir da forma que é universal.

Por João Francisco P. Cabral

Videoaula Aristóteles (Metafísica, Política e Ética)

22 de agosto de 2015

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"Os professores abrem a porta, mas você deve entrar por você mesmo."


Provérbio Chinês

21 de agosto de 2015

Videoaula Maquiavel

Para refletir...




"Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa."


Sócrates

Videoaula Contratualismo (Hobbes, Locke e Rousseau)

Exercícios Sócrates (PARTE I)

1. (UFU - MG) Sócrates é tradicionalmente considerado um marco divisório da filosofia grega. Os filósofos que o antecederam são chamados de pré-socráticos. Seu método, que parte do pressuposto “só sei que nada sei”, é a maiêutica que tem como objetivo:

I. “dar luz a ideias novas, buscando o conceito”.
II. partir da ironia, reconhecendo a ignorância até chegar ao conhecimento.
III. encontrar as contradições das ideias para chegar ao conhecimento.
IV. trazer as ideias do céu a terra.

Assinale:

a) Se apenas I e II estiverem corretas.
b) Se apenas I e III estiverem corretas.
c) Se apenas II, III e IV estiverem corretas.
d) Se III e IV estiverem corretas.
e) Se I e IV estiverem corretas.

GABARITO: A

2. (UFU - MG) O método argumentativo de Sócrates (469 – 399 a.C.) consistia em dois momentos distintos: a ironia e a maiêutica. Sobre a ironia socrática, pode-se afirmar que:

I. Torna o interlocutor um mestre na argumentação sofística.
II. Leva o interlocutor à consciência de que seu saber era baseado em reflexões, cujo conteúdo era repleto de conceitos vagos e imprecisos.
III. tinha um caráter purificador, à medida que levava o interlocutor confessar suas próprias contradições e ignorâncias.
IV. tinha um sentido depreciativo e sarcástico da posição do interlocutor.

Assinale:

a) se apenas a afirmação III é correta.
b) Se as afirmações I e IV são corretas.
c) Se apenas a afirmação IV é correta.
d) Se as afirmações II e III são corretas.

GABARITO: D

18 de agosto de 2015

Áreas da Filosofia

Cosmologia: junção das palavras gregas “comos” e “logia” que significam respetivamente espaço universal e estudo, esta área da filosofia está preocupada com questões ligadas ao início e ao fim do universo, busca responder perguntas como: de onde surgiu o Universo? Quem o criou? Como terminará? Era a preocupação central dos pré-socráticos.

Lógica: é a área da Filosofia que se preocupa com o bem raciocinar. A lógica não está necessariamente preocupada com o conteúdo do pensamento, e sim com as formas e regras do mesmo, é a lógica que nos incita a pensar de forma coerente. Foi criada por Aristóteles.

Teoria do conhecimento: investiga a estrutura, a origem e a validade do conhecimento, busca responder questões como: o que é conhecimento? Qual a diferença entre saber filosófico e saber científico? Podemos obter um conhecimento verdadeiro a respeito das coisas?

Metafísica: significa “além da física” e é considerada uma das disciplinas essenciais da Filosofia, tem como foco de investigação a realidade que está para além daquilo que é físico e concreto, procura a essência dos seres, é a tentativa de entender o “ser enquanto ser”. As perguntas fundamentais que tenta responder são: o que faz o Ser de fato ser um Ser? O Ser é ou está sendo? Com o advento da filosofia medieval passou a focar aspectos relacionados ao Ser divino.

Filosofia moral: preocupa-se com questões relacionadas a valores e virtudes, bem e mal, certo ou errado, uma área da Filosofia de extrema importância, pois discute o valor e a motivação das ações humanas. Procura entender se o bem ou o mal são questões objetivas ou subjetivas, absolutas ou relativas, universais ou locais, se foram criados de "fora para dentro" ou se são apenas convenções sociais.

Filosofia da arte: procura entender a natureza do Belo, questionando a possibilidade de existir algo que seja Belo para todos, ou se este Belo é subjetivo, investiga ainda a função da arte, bem como suas relações com política, a sociedade e a ética.

Filosofia da linguagem: ramo da Filosofia que se interessa pela essência e natureza dos fenômenos linguísticos, busca compreender a diferença entre homens e animais, partindo do pressuposto que os homens possuem uma linguagem inteligível. Nesta área da filosofia se questiona a natureza e a força do discurso humano, a coerência entre o que se pensa e o que se fala e etc...

Filosofia da ciência: tem como foco de estudo a própria ciência, buscando compreender os métodos, os fundamentos e a estrutura da ciência, e suas implicações para a sociedade, relaciona-se estritamente com a Teoria do Conhecimento, sendo, porém, mais restrita ao estudo do conhecimento científico.

Filosofia política: reflexão sobre a vida em sociedade, é um campo da Filosofia que está diretamente relacionado a ética, responde perguntas como: o que é Estado? É necessária a existência de um poder centralizado? Quem deve governar? Quais são os limites do governo? 

Para refletir...




"Não importa o que fizeram conosco. Importa o que fazemos com o que fizeram conosco."

Sartre

Videoaula Descartes - principais ideias (UNIVESP)

17 de agosto de 2015

Para refletir...





"Tudo está bem quando sai das mãos do autor das coisas, tudo degenera entre as mãos do homem."

Rousseau 




16 de agosto de 2015

Contato


Blog criado pelo Profº Léo Silva (especialista no ensino de Filosofia, graduado em História e graduando em Filosofia) destinado ao compartilhamento de materiais de Filosofia e Sociologia para o Ensino Médio. Nesta espaço serão divulgados materiais autorais bem como materiais interessantes encontrados pela internet. A intenção deste blog é divulgar materiais de boa qualidade principalmente da disciplina de Filosofia, pois a mesma se tornou obrigatória no Ensino Médio a pouco tempo, e por isto ainda não possui uma "tradição" na Educação básica brasileira, o que faz com que os materiais ainda sejam relativamente escassos, apesar da crescente produção que vem acontecendo.

Entre em contato com o professor Léo Silva pelos comentários ou pelo e-mail leonardo.sels@gmail.com.

Questões resolvidas

Em breve...

Resumos


Vídeos


Aula Filosofia da ciência (slides)

Para refletir...





"Não concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizeres."

Voltaire 

Aula Filosofia Política (slides)

Aula Metafísica (slides)