Parmênides é um filósofo que expôs seus pensamentos através
da poesia em estilo homérico, mas nem por isso deixa de usar rigorosos
argumentos dedutivos em suas colocações. Parmênides é o fundador da escola de
Eléia e despertou grande admiração de Platão.
Dos seus poemas restaram-nos 154 versos e eles dividem-se em
três partes. A primeira é uma introdução onde ele coloca como chegou às suas
revelações. O filósofo conta a sua viagem imaginária pela morada da deusa da
justiça que o conduzirá ao coração da verdade. A deusa mostra a Parmênides o
caminho da opinião que conduz à aparência e ao engano e o caminho da verdade
que conduz à sabedoria do ser. Cada um desses caminhos será tratado nas
duas partes seguintes.
Na segunda parte ele argumenta que o que é é diferente do
que geralmente os homens supõem que seja. Nessa parte, intitulada Caminho da
Verdade (alétheia), ele coloca o que a razão nos diz e ele faz isso através da
metafísica dedutiva. Começa por premissas que ele acredita serem verdadeiras e
dedutivamente ele chega a conclusões que também devem ser verdadeiras. Seus
argumentos lógicos reconstruídos podem ser expressos da seguinte forma:
1 - Ou algo existe ou algo não existe.
2 - Se é possível pensar em algo, esse algo pode existir.
3 - Nada não pode existir.
4 - Se podemos pensar em algo esse algo não é nada.
5 - Se podemos pensar em algo esse algo tem que ser alguma
coisa.
6 - Se podemos pensar em algo esse algo tem que existir.
Na sequencia Parmênides expõe que somente nos resta dizer
que esse algo é, pensar ou dizer que esse algo não é é impossível. Esse algo
que é tem portanto obrigatoriamente que ser incriado e imperecível.
Na terceira parte, intitulada Caminho da Opinião (doxa),
sobre a qual não podemos ter nenhuma certeza, ele faz uma descrição de como ele
vê o mundo. Para ele essa sua descrição é falsa e enganosa pois é simplesmente
o resultado de uma ordenação de palavras, mas essa ordenação é a melhor coisa
que os homens podem fazer, sendo portanto a melhor descrição apresentada. Aqui
ele expõe as crenças das pessoas simples. São conjuntos de teorias físicas como
o dualismo entre o limitado e o ilimitado, que ele relaciona com a luz e as
trevas, fazendo da realidade física uma mistura e uma luta entre esses dois
elementos. É através dessa divisão que ele ordena as qualidades. Na comparação
entre a luz e a escuridão, a escuridão é a negação da luz. Diferenciou as
qualidades da natureza em positivas e negativas tomando por base outros opostos
como vida e morte, fogo e terra, masculino e feminino, quente e frio, ativo e
passivo, leve e pesado. Assim para ele nosso mundo se divide em duas esferas,
as de qualidade positiva (luz, vida, fogo, masculino, quente, ativo, leve) e as
de qualidade negativa (escuridão, morte, terra, feminino, frio, passivo,
pesado). As qualidades negativas são uma negação das qualidades positivas e
Parmênides utiliza os termos "não ser" para o negativo e
"ser" para o positivo.
Parmênides via as mudanças físicas que ocorrem no mundo como
uma mistura onde participam o ser e o não-ser, resultando num
vir-a-ser. A mistura é feita pelo desejo e quando o desejo é satisfeito o ser e
o não-ser novamente se separam. O filósofo conclui assim que a mudança é uma
ilusão. Somente existem o ser e o não-ser, o vir-a-ser é portanto uma ilusão
dos nossos sentidos.
A filosofia de Parmênides se apresenta como um contraste
entre a verdade e a aparência. A aparência é percebida pelos sentidos que nos
mostram o ser e o não ser e nos levam a diversos erros. Já a verdade somente
pode ser buscada pela razão, que para Parmênides demonstra que não podemos pensar
o não ser, pois não podemos pensar sem que esse pensar seja sobre algo. Pensar
sobre nada é não pensar da mesma forma que dizer nada é não dizer. Somente
podemos pensar e expressar o que pensamos através de um objeto e esse objeto já
é algo, já é um ser. Ele conclui que o ser é e não pode não ser e através dessa
ideia ele expressa sua principal tese filosófica que vai dirigir toda sua
investigação racional. Ele cria assim os principais fundamentos da ontologia
que é vista como metafísica pois o ser não é somente o ser da natureza, mas
também o ser do homem e das suas ações, e mais ainda, é o ser de qualquer coisa
que possa ser pensada.
Sentenças:
-O ser é e não pode não ser.
-O pensamento e o ser são a mesma coisa.
-O ser é imóvel porque se se movesse poderia vir-a-ser e
então seria e não seria ao mesmo tempo.
Endereço original: http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=15

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